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Hoje em dia toda a gente guarda registos digitais das faces familiares e de tantas outras que por uma razão ou outra se vão cruzando no seu caminho. Eu ainda sou do tempo em que tirar uma fotografia era um acto pensado e ponderado pois o número de exposições do filme à luz era limitado normalmente a 24 ou 36 vezes. Pagava-se a revelação e depois pagavam-se as fotografias que tinham ficado boas. Bem, pagavam-se as boas, as más, as desfocadas, as tremidas, as demasiado claras, as demasiado escuras e todas as outras.

Tudo era uma surpresa, desde que o rolo ou cassete ainda estavam dentro da máquina até à hora de ir à loja do fotógrafo levantar as tão esperadas fotografias. Por vezes o rolo soltava-se por algum motivo e o contador da máquina (das que tinham) continuava a subir. Passavam as 24 e ficávamos na dúvida se o rolo tirava mais uma ou duas (acontecia algumas vezes) ou se seria de 36? Quando começavam a ser demais, arriscávamos tirar o rolo da máquina para mandar revelar e esperar que se salvasse alguma. Normalmente, no sítio onde o rolo tinha avariado, saíam fotografias sobrepostas ou com rasgos de luz branca sobre a fotografia.
Na hora de ir levantar as fotografias, recebíamos uma envelope que continha negativos e as ditas fotografias que nos apressávamos a ver e comentar logo no local ainda antes de pagar, tal era a expectativa. Muitas vezes ficávamos de tal maneira eufóricos e espantados com os resultados que dava a ideia de nem termos estado lá a viver o momento.

Se há alguém que detém uma coleção invejável desses pequenos pedaços de vivência, é a minha mãe. Lá em casa há álbuns fotográficos a perder de vista. São milhares de fotografias que contam histórias desde o século passado até aos dias de hoje. Mesmo tendo aderido ao suporte digital, não aceita que se deixe de imprimir todas essas imagens que tantas memórias lhe trazem.
Se quisesse ver todas as fotografias que há lá por casa e ouvisse algumas das histórias que estas encerram, precisaria de uma semana inteira.

Decidi que vou começar a imprimir novamente as minhas fotografias, para poder mostrar a quem quiser saber mais das nossas histórias.

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